TREINAMENTO DE ADAPTAÇÃO DE PRISMA PARA NELIGÊNCIA ESPACIAL
A neuroreabilitação desempenha um papel importante para a plasticidade neural e recuperação funcional após uma lesão ou disfunção neuropsiquiátrica (Fujiwara et al., 2017). Bem como, em sua aplicação clínica, é um novo arsenal de recursos clínicos que os profissionais da saúde têm para intervir em distúrbios cerebrais incapacitantes, como por exemplo, o Acidente Vascular Encefálico – AVE e a Lesão Cerebral Traumática (Barrett et al., 2013). Essa área é baseada na medicina de reabilitação, neurociência e neurofisiologia (Fujiwara et al., 2017).
Por exemplo, a neuroreabilitação usando a estimulação elétrica neuromuscular controlada por eletromiografia (EMG) para a função motora da extremidade superior, após o AVE, melhorou a função do braço e da mão e pode induzir alteração plástica no interneurônio intracortical e no interneurônio recíproco espinhal. Outro uso demonstrado, é na recuperação funcional induzida pelo exercício após lesão medular. O exercício terapêutico pode induzir a remodelação do músculo esquelético, alteração fisiológica do neurônio motor espinhal e remodelação do córtex motor (Fujiwara et al., 2017).
Do mesmo modo, estudos neurofisiológicos revelaram atividade neural relacionada à redução da velocidade da marcha na doença de Parkinson e recuperação funcional da hemiplegia após AVE (Fujiwara et al., 2017).
Em outras palavras, esse é um paradigma intelectual emergente para recuperação neurológica que inclui regeneração neural, reparo e reorganização dinâmica de sistemas neurais funcionais, bem como o aumento da consciência dos princípios comportamentais que podem modular o retorno e/ou compensação da funcionalidade. Ainda que timidamente, muitos profissionais já vêm ofertando aos sistemas de saúde e aos pacientes tratamentos baseados na aprendizagem dependente da experiência, estimulação neurofisiológica e uma combinação desses conceitos (Barrett et al., 2013).
As intervenções com a neuroreabilitação deflagraram-se a partir do ano 2000, em paralelo com uma mudança no paradigma dos cuidados neurológicos. Em meados do século XX, abandonamos a suposição de que o efeito de uma lesão cerebral, como um AVE; na função, atividade e participação – indicadores ancorados na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, conhecida como CIF, seria permanente e nos tornamos cada vez mais conscientes do potencial regenerativo do cérebro, bem como da reorganização dinâmica dele, após meses e até muitos anos depois de um evento traumático. Cientistas de neuroreabilitação vêm mostrando por meio de pesquisas translacionais sob quais condições ocorrem as mudanças e a recuperação ideal do cérebro. Nesses casos, aparentemente, exigindo estimulação intensiva e controlada de redes cerebrais prejudicadas (Barrett et al., 2013).
Um dos principais recursos usados nas demonstrações da plasticidade neural induzida pela neuroreabilitação são as aferições via neuroimagem. Esses estudos vêm revelando novos achados de reorganização cortical após lesão da medula espinhal, paralisia do nervo facial, perda auditiva e exercícios aeróbicos em adultos mais velhos. Logo, as técnicas neurofisiológicas e de neuroimagem avançadas estão fornecendo novos insights sobre a recuperação funcional em distúrbios neurológicos (Fujiwara et al., 2017).
Fontes:
Barrett, A. M., Oh-Park, M., Chen, P., & Ifejika, N. L. (2013). Neurorehabilitation: Five new things. Neurology: Clinical Practice, 3(6), 484–492. https://doi.org/10.1212/01.CPJ.0000437088.98407.fa
Fujiwara, T., Paik, N.-J., & Platz, T. (2017). Neurorehabilitation: Neural Plasticity and Functional Recovery. Neural Plasticity, 2017, 1–1. https://doi.org/10.1155/2017/3764564