A robótica é uma importante tecnologia que trouxe avanços no campo da neurorreabilitação assistida por robô (Tieri et al., 2018).

O objetivo do uso dessa tecnologia é proporcionar um treino intensivo, repetitivo e orientado para tarefas, principalmente para membros superiores ou inferiores, o que representa um aspecto importante para a neurorreabilitação quanto ao controle das variáveis intensidade e frequência da dosagem terapêutica efetiva clinicamente. Além do feedback necessário para a execução correta da tarefa em lesões e/ou disfunções que afetam a memória operacional (esboço visuoespacial) e impedem o sequenciamento correto do movimento, por exemplo (Tieri et al., 2018).

Atualmente, existem muitos dispositivos-robôs que têm sido utilizados na neurorreabilitação.  A título de exemplo, as tecnologias robóticas que foram combinadas com ambientes virtuais para reabilitação da marcha e os seus efeitos potencializados com a combinação de técnicas tradicionais da fisioterapia, RV e robôs (Tieri et al., 2018):

a.   Os efeitos em pacientes com Acidente Vascular Encefálico – AVE com o sistema de reabilitação de tornozelo Rutgers, por meio de robô + RV: os pacientes submetidos apresentaram melhor evolução na capacidade de caminhar (ou seja, velocidade e distância percorrida). Ainda, efeitos positivos da RV na marcha também foram obtidos por meio do treinamento de marcha assistida por robô, onde foi utilizada a versão moderna Lokomat (Lokomat-Pro, (Hocoma Inc., Volketswil, Suíça), ou seja, um dispositivo robótico composto por (i) uma órtese motorizada capaz de guiar os movimentos do joelho e tornozelo, enquanto o paciente caminha em uma esteira, combinada com (ii) uma tela para exibição de um ambiente virtual não imersivo capaz de fornecer feedback interativo e direto ao paciente durante a caminhada (Tieri et al., 2018).

b.  Os efeitos em pacientes com esclerose múltipla com deficiência de locomoção: Os pacientes submetidos ao treinamento de marcha assistida por robô tiveram bons resultados funcionais, mas aqueles que realizam RV tiveram melhores resultados, incluindo evolução do equilíbrio (Tieri et al., 2018).

c.   Os efeitos em pacientes com hemiparesia crônica: Evidências mostraram que a RV induziu uma evolução na marcha e no equilíbrio e, mais importante, os resultados do Eletroencefalografia-EEG mostraram que o uso da RV sugeriu melhorar o desempenho motor ativando áreas fronto-parieto-occipitais do cérebro envolvidas no planejamento motor e aprendizado (Tieri et al., 2018).

Assim, essas evidências sugerem que o uso de feedback 2D VR desempenha um papel fundamental na dinamização do tratamento. Além de permitir o recrutamento da abordagem top-down e aumentar a participação ativa do paciente que é um facilitador do resultado positivo da neurorreabilitação. Finalmente, outra aplicação promissora que merece ser mencionada vem da pesquisa robótica desenvolvida pelo Laboratório PERCRO de Pisa que implementou e investigou a combinação de um protótipo de exoesqueleto com VR para reabilitação de membros superiores (para mais informações, ver referencias abaixo).

Fonte do texto: Tieri, G., Morone, G., Paolucci, S., & Iosa, M. (2018). Virtual reality in cognitive and motor rehabilitation: facts, fiction and fallacies. Expert Review of Medical Devices, 15(2), 107–117. https://doi.org/10.1080/17434440.2018.1425613

Fonte dos estudos sobre o tema no Laboratório PERCRO de Pisa

Frisoli A, Borelli L, Montagner A, et al. Arm rehabilitation with a robotic exoskeleleton in virtual reality. 2007 IEEE 10th Int. Conf. Rehabil. Robot. ICORR’07; 2007. p. 631–642. 

Frisoli A, Salsedo F, Bergamasco M, et al. A force-feedback exoskeleton for upper-limb rehabilitation in virtual reality. Applied Bionics Biomech. 2009;6:115–126