“Nossos cérebros evoluíram para serem sociais: precisamos de interação e conversas frequentes para manter a sanidade” (Suzanne Dikker, neurocientista cognitiva e linguista da Universidade de Nova York).

“A conversa é nossa maior ferramenta para alinhar mentes. Não pensamos no vácuo, mas com outras pessoas.” (Thalia Wheatley, neurocientista social do Dartmouth College).

Em momentos de fortes divisões de opiniões, como as que estamos vivendo na área política atual, relativas a temas sociais importantes, é possível o alinhamento de crenças por meio do diálogo?

A resposta é sim. No entanto, desde que o grupo de discussões esteja livre de fanfarrões, desses que só desejam lacrar (palavra cafona da moda nas redes sociais).

As discussões em grupo para resolver problemas comuns é um dos empreendimentos mais importantes nas sociedades humanas, mas chegar a um consenso, como sabemos, pode ser muito aflitivo.

Apesar das pessoas perceberem fatos de maneiras diferentes e terem relatos também diferentes sobre um acontecimento, é possível chegar a um consenso e termos modulações cognitivas, após uma discussão pujante.

Uma conversa robusta que resulta de um consenso, sincroniza os cérebros dos falantes não apenas quando se pensa no tópico que foi explicitamente discutido, mas em situações relacionadas que não foram alvo da conversa, posteriormente.

Entretanto, a BARREIRA para este padrão de saúde cognitiva, por meio de uma discussão em prol do acordo, é ter um membro do grupo cujas opiniões estridentes afetam a todos os outros.

Em contrapartida, após uma discussão alentada, temos maior alinhamento sobre um fato ao ser reanalisado pelos canais auditivos e visuais e, pelos domínios atencionais, mnemônicos, linguísticos e outros, e com sincronia de ativação cerebral do grupo participante da conversa e mesmo para novos pontos que são vistos individualmente. Logo, só atingimos uma dimensão ampliada sobre um tema, após uma conversa sem empecilhos individuais (crenças enrijecidas) de todos os presentes no grupo em prol do diálogo e com condutas de mediação.

Pontos importantes:

·         Pessoas que compartilham crenças tendem a compartilhar ativações cerebrais semelhantes. Por exemplo, indivíduos que vêm uma imagem de notícias, a atividade cerebral daqueles com concepções conservadoras se pareciam mais com a de outros conservadores e vice-versa, conforme estudos.

·         Traços de personalidade e dinâmicas de conversação, como reversar, podem afetar a dinâmica de um bate-papo, para ativar ou inibir a sincronia promovida pela comunicação.

Desta forma, o grau de similaridade nas respostas cerebrais depende não apenas das predisposições inerentes das pessoas, mas também do terreno comum criado por uma conversa.

Agora, o comportamento de um indivíduo pode influenciar drasticamente uma decisão de grupo. Por exemplo, num viés da divergência com condutas persuasivas de fanfarronice, dando ordens e executando conversas pontuais, não com o grupo, mas isoladamente com outros indivíduos para desagregar. Em compensação, num viés de mediação, a presença de condutas para leitura do contexto pelos participantes da discussão e tentativas de encontro de um terreno comum facilitam o diálogo.

Portanto, só existe alinhamento no processamento cognitivo em temas divergentes, mas em prol do consenso, via diálogo, se entrarmos numa discussão dispostos a mudar de ideia e não rígidos em nossas crenças, a tal ponto de agirmos apenas com imposições de visões individuais.

Fonte: Hughes, Virginia. How to Change Minds? A Study Makes the Case for Talking It Out. The New York Times. https://www.nytimes.com/2022/09/16/science/group-consensus-persuasion-brain-alignment.html