A ANATOMIA DO ATAQUE DE PÂNICO
Os ataques de pânicos giram em torno do terror e de uma constelação de sintomas, tanto físicos quanto cognitivos.
O cérebro da pessoa em crise é tomado pelo medo, o seu corpo responde, e pode ser difícil entender tudo isso.
Em termos neurofisiológicos, o do ataque de pânico é irrompido quando o cérebro não é capaz de enviar mensagens entre o córtex pré-frontal, que está associado à lógica e ao raciocínio, e a amígdala, que ativa a urgência da regulação emocional. Durante um ataque de pânico, a amígdala é hiper-reativa, como num quarto pegando fogo na saída de uma tomada, enquanto o córtex pré-frontal é menos responsivo, ou seja, ele não consegue ativar o sistema gerenciamento e inibição de incêndio do prédio, levando o quarto a um incêndio com capacidade para queimar todo o apto ou o prédio.
Ele tem início súbito, acompanhado de um medo intenso, em oposição a uma condição de ansiedade generalizada, que geralmente se manifesta como uma preocupação quase constante.
Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente, seguem os seguintes sintomas:
· Palpitações cardíacas
· Dificuldade de respirar
· Formigamento em membros superiores e inferiores
· Enjoos
· Sensação de compreensão no peito e/ou sufocamentos
· Calor, suor e/ou calafrios
· Medo agitado e desestabilizador
No auge do ataque de pânico, há pensamentos como:
· Percepção de estado de loucura, perda do controle cognitivo e das reações fisiológicas
· Percepção de que estaria tendo um ataque cardíaco
· Sensação de pré-morte
Importante salientar que, a maioria das pessoas que experimenta um ataque de pânico não apresenta todos esses sintomas acima, mas pode ter muito deles.
Um pequeno grupo de pessoas que sofrem de ataques de pânico, no entanto, apresentam sintomas limitados, nos quais encontram três ou menos dos listados acima.
E, quase tão repentinamente os ataques de pânicos irrompem, eles geralmente se dissipam. Os sintomas aumentam ao longo de dez minutos e, geralmente, desaparecem em meia hora, embora algumas pessoas possam sentir efeitos prolongados.
Por ser uma experiência traumática, esse grupo clínico pode começar a temer sensações que os lembram de seus sintomas. Consequentemente, começam a evitar qualquer coisa que os lembrem do episódico, por exemplo, os locais em que os eventos se desencadearam, estourando outro transtorno conhecido como agorafobia.
O desencadeamento do ataque de pânico se relaciona a um conjunto diversificado de estressores – como eventos traumáticos; preocupações financeiras; tarefas do cotidiano, como falar em público; ou até mesmo não ter nenhum gatilho discernível.
Dicas para autocuidado durante um ataque de pânico:
· Feche os olhos e converse com você mesmo, lembrando do seguinte ponto: você já passou pela experiência antes, embora muito assustadora, o pânico em si não é perigoso.
· Ligue para alguém de sua confiança: falar com alguém sobre o que você está experimentando e nomear as sensações dissipadas pelo seu corpo colabora para amenizar e estabilizar os sintomas no momento.
· Exercício de aterramento: conte e nomeie as cores ao seu redor. Diga cada uma em voz alta, ou apenas anote-as em sua mente. Esse recurso, e um descolamento perceptivo e atencional para pontos neutros e não ameaçadores que seu corpo está ativando em si.
· Regulação da atenção para o presente, pela via sensorial tátil: coloque um pano úmido e frio sobre o pulso. Isto ajuda também a aliviar o calor desconfortável e a transpiração que algumas pessoas sentem durante os seus ataques de pânico.
· Regulação da respiração: sair do padrão de hiperventilação, comum num ataque, para um padrão de respiração diafragmática, ou seja, respirar como um bebê, concentrando-se em expandir o abdômen. Isso pode retardar e aprofundar a respiração, inundando o cérebro com oxigênio e acionado o sistema nervoso parassimpático, que ajuda a sinalizar que não precisamos lutar e reduz os níveis de angústia.
Entretanto, essas dicas são temporárias. E, no caso de um transtorno, são necessárias condutas clínicas para intervenção, via medicamento e psicoterapia, para que num ambiente controlado possa ser modulado os medos e as sensações experimentadas durante um ataque de pânico.
Por exemplo, o EMDR - Eye Movement Desensitization and Reprocessing (Dessensibilização e Reprocessamento por meio de Movimentos Oculares) é uma técnica toda atrelada a regulação da neurobiologia do medo, incluindo os parâmetros de nível cognitivo, quanto as crenças disfuncionais e as memórias traumáticas associadas aos sintomas. Assim como, a Terapia Cognitiva Comportamental -TCC.
Lembre-se por mais desconcertante que um ataque de pânico possa ser, é importante lembrar que eles são altamente tratáveis e que, tão repentinamente quanto podem surgir, eles começam a desaparecer.
Fonte: Blum, Dani. The anatomy of a panic attack. https://www.nytimes.com/interactive/2022/11/10/well/mind/panic-attack-symptoms-causes.html