AUTISMO E MOTIVAÇÃO SOCIAL
A motivação social, a nível neurofisiológico, é modulada pelos circuitos cerebrais relacionados ao sistema de recompensa. Em indivíduos com Transtorno do Espetro Autista – TEA há uma ativação atípica desse sistema durante as interações sociais.
Desta forma, o olhar é uma sugestão social que parece ser particularmente gratificante em indivíduos típicos. Especificamente, ver um rosto atraente fazendo contato visual envolve sistemas cerebrais ligados à recompensa. Por exemplo, um adulto típico, considera o olhar direto mais gratificante do que o olhar desviado, e ainda mais para objetos. No entanto, aqueles com TEA podem ser indiferentes.
Isto é, no caso do TEA, esse grupo difere de indivíduos com desenvolvimento típico quanto a motivação para se envolver ou se afiliar a outras pessoas. Essas alterações refletem indiferença ou mesmo respostas negativas de excitação ao olhar direto.
Desta forma, a motivação social pode ser aferida em termos de orientação social, busca visual e manutenção social.
Com efeito, a orientação social é definida como a conduta de dar prioridade de atenção a pistas sociais ou informações sociais. No caso de indivíduos com TEA, eles olham menos para rostos e estímulos sociais do que indivíduos típicos.
Já a manutenção social, é descrita como o desejo dos indivíduos de se envolver com os outros durante um período prolongado. E neste parâmetro, indivíduos com TEA não envolvem em gerenciamento de reputação; não tentam conectar com pessoas, e não ficam lisonjeados com outras pessoas.
Em relação a busca social, é um conceito que normalmente é entendido como gostar de um estímulo (obter prazer hedônico com ele) e desejá-lo (fazer esforço para obtê-lo). Essa motivação, via esforço, é muito reduzida no grupo com TEA.
Em resumo, em estudos de autorrelatos, nos grupos clínicos com TEA, sugerem que eles experimentam menos prazer com contatos sociais e não expressam solidão, apesar de relatarem menor companheirismo e reciprocidade em suas redes de pares. Por tudo isso, indivíduos com TEA demonstram motivação social reduzida.
Logo, uma indiferença mais específica em relação ao olhar direto é relatada. Em contraposição a uma preferência por estímulos não sociais. Eles não valorizam os estímulos sociais com o olhar direto, porém podem olhar, desde que não exija mais esforço do que uma outra opção.
Consequentemente, o olhar direto no TEA pode ser imotivado mais pela falta de interesse na interação social do que pela aversão dos olhos.
Fonte: Dubey, I., Ropar, D. & de C Hamilton, A.F. Measuring the value of social engagement in adults with and without autism. Molecular Autism 6, 35 (2015). https://doi.org/10.1186/s13229-015-0031-2