DEFICIÊNCIA INTELECTUAL - DI E SUA CONDIÇÃO CLÍNICA
O termo retardo mental (RM) ainda é usado em muitos contextos, inclusive por alguns médicos, e é encontrado em políticas legais e públicas que determinam a elegibilidade para apoio; no entanto, o uso do termo deficiência intelectual como substituto direto do retardo mental está aumentando. A American Association on Mental Retardation foi renomeada para American Association on Intellectual and Developmental Disabilities (AAIDD), enfatizando que a definição de DI é exatamente a mesma que para RM (Shea, 2012).
A principal razão para a mudança é que o termo retardo mental é percebido como pejorativo; essa mudança semântica não reflete uma ressignificação da condição (Shea, 2012).
O diagnóstico se baseia em três características coexistentes: (1) funcionamento intelectual significativamente abaixo da média acompanhado por (2) déficits ou deficiências nas habilidades adaptativas com (3) início antes dos 18 anos de idade (Shea, 2012).
Por convenção, para todos os níveis de DI, o QI reduzido deve ser acompanhado por déficits nas funções adaptativas, que incluem habilidades conceituais, sociais e práticas. Habilidades conceituais incluem linguagem, alfabetização e aquisição de numeramento, bem como compreensão de tempo e dinheiro. As habilidades sociais incluem julgamento social, habilidades interpessoais e resolução de problemas sociais. Habilidades práticas incluem cuidados pessoais e outras atividades da vida diária, habilidades ocupacionais, capacidade de negociar o mundo com segurança e acesso ao transporte, e assim por diante (Shea, 2012).
A DI é uma condição permanente, caracterizada por comprometimento significativo do desenvolvimento cognitivo e adaptativo devido a anormalidades da estrutura ou função cerebral. Assim, a DI não é uma entidade única, mas sim um sintoma geral de uma disfunção neurológica (Shea, 2012).
Entretanto, os clínicos variam com relação à aplicação do termo DI, dependendo da idade do indivíduo. Alguns preferem usar o termo atraso no desenvolvimento ou atraso no desenvolvimento global para crianças menores de 5 anos e reservam DI para crianças mais velhas. Para alguns, esse uso parece ser uma questão de convenção, enquanto para outros é um reflexo da necessidade de ter confiança na trajetória de desenvolvimento de uma criança antes de aplicar os últimos termos.
Graus da DI são descritos no DSM-IV. Os adjetivos correlatos (leve, moderado, severo, profundo) costumam ser usados para resumir os resultados dos testes, e é útil entender o que eles representam. Dentro do DSM, os intervalos são dados como números de quociente de inteligência (QI), que se baseiam no QI médio da população de 100, e 1 DP equivale a 15 pontos em avaliações comumente usadas. Uma pontuação inferior a 70 pontos, ou seja, mais de 2 DPs abaixo da média, representa DI. A DI leve é definida quando o QI cai 2 a 3 DPs abaixo da média (55 a 70). Na DI moderada, o QI está 3 a 4 DPs abaixo da média (40 a 55); na DI grave, o QI está 4 a 5 DPs abaixo da média (25 a 40); e na DI profunda o QI está mais de 5 SDs abaixo da média (abaixo de 25). (Shea, 2012).
Fonte: Shea, S. E. (2012). Intellectual Disability (Mental Retardation). Pediatrics in Review, 33(3), 110–121. https://doi.org/10.1542/pir.33-3-110